terça-feira, 29 de dezembro de 2009

DRAMATURGIA INFANTO-JUVENIL

Tatiana Belinky, Ricardo Gouveia, Gabriela Rabelo, Vladimir Capella, Cláudia Dalla Verde, Zeca Capellini, Ronaldo Ciambroni, Oscar von Pfhull. Silvia Ortoff, Ilo Krugli, Walmir Ayala, Olga Reverbel, Maria Clara Machado, sem sombra de dúvida, são grandes dramaturgos que dedicaram grande parte de suas vidas e obras ao público infanto-juvenil. Muitos já morreram, outros pararam de escrever e foram trilhar outros caminhos e meia dúzia deles ainda continuam escrevendo, de forma bissexta talvez, mas produzindo.´
Desnecessário seria enfatizar que os textos geniais foram escritos até a década de 80 ou 90 talvez. Depois desse período houve - e ainda há - uma grande escassez de dramaturgos para essa faixa etária.
Podemos perceber pelos guias de teatro da cidade de São Paulo, além a escassez de textos, a escassez de espetáculos. E esses espetáculos – salvos raríssimas, raríssimas mesmo – exceções, não tem nada a dizer. É um amontoado de bobagens e só “ganham” o público infanto-juvenil pelos estonteantes cenários, figurinos, efeitos e uma belíssima iluminação, mas que não significam coisa alguma.
Sei muito bem da dificuldade de montar um espetáculo infanto-juvenil. Em vários teatros as montagens só podem ser apresentadas no proscênio para não desmontar o cenário do espetáculo adulto que se apresenta logo em seguida. Houve um tempo em que se anunciava: “Venham ver o espetáculo tal (infanto-juvenil) que será apresentado no cenário do espetáculo tal (adulto)”. É um absurdo e tanto, mas se não há remédio, o jeito é fazer dessa forma.
Os espetáculos infanto-juvenis da atualidade são impecáveis nos quesitos: figurinos, iluminação, cenários, sonoplastia, maquiagem, grandes efeitos cênicos, etc. Mas o texto, infelizmente, desapareceu. Stanislavski já dizia que “o texto é para o teatro o que o caroço é para o fruto”. Agora quando há o texto, infelizmente ele cai naquele didatismo tosco, naquelas moralidades repugnantes do politicamente correto e aquele dedinho em riste de algum adulto dizendo o que ele deve ou não deve fazer... Um horror!
Tatiana Belinky disse uma vez que o “politicamente correto” é uma grande bobagem. A criança/adolescente tem que passar por experiências transformadoras: rir, chorar, ter medo, claro que tudo na medida certa. Trata-se do teatro educativo-formativo. E é nesse teatro que eu acredito.
Por que os bons dramaturgos da atualidade que escrevem para o teatro adulto, não produzem pelo menos um ou dois textos por ano para o teatro infanto-juvenil? Claro que o empenho ao escrever esses textos tem que ser o mesmo empenho que emprega num texto adulto.
E por favor, dramaturgos que queiram se aventurar nessa empreitada, não subestimem a inteligência das crianças. Elas não são bobas. Ainda mais as de agora.
Infelizmente essa geração está perdendo uma etapa muito importante da infância. Estou cansado de ver crianças com roupinhas curtas, com o rostinho carregado de maquiagem e dançando funk no recreio da escola. É isso mesmo. Já presenciei essa cena em várias escolas que lecionei. Pra que essa erotização e banalização? Por que não brincar de amarelinha, pula-sela, esconde-esconde, pular corda e outros jogos típicos da idade? Por que não dar a oportunidade da criança ser e agir como criança?
Vladimir Capella escreveu e dirigiu espetáculos antológicos como “Panos e Lendas” e “Avoar”, compostos por jogos. Peguei carona na ideia e escrevi “Vamos Brincar de Roda?” nos mesmos moldes. E são espetáculos deliciosos para os atores e para o público, pois não estão restritos apenas a uma faixa etária. Trata-se do “teatro para todas as idades”, do bebê ao vovô. O ideal seria investir pesado nesse tipo de teatro.
Os contos de fadas perderam seu encanto? As histórias de fadas, bruxas, duendes, as peripécias de Pedro Malazartes, os contos de Grimm, as fábulas de Esopo estão ultrapassadas? Monteiro Lobato está “batido”?
São perguntas que nós, pais e educadores devemos nos fazer. Vamos retomar essas histórias. A TV, a Internet e outros meios de comunicação não mostrarão isso para as crianças. Então, cabe a nós fazer isso.
E retomo aqui uma frase de Stanislavski: “O Teatro para a criança deve ser igual ao do adulto, só que melhor.”.
Fica o desafio para dramaturgos, pais e educadores. Se quisermos um mundo melhor, é preciso formar seres humanos melhores e mais dignos. E como diz o velho ditado: “é de pequeno que se torce o pepino”

domingo, 27 de dezembro de 2009

TEXTO ENCENADO EM PORTUGAL



Ainda não publiquei aqui, mas este é o cartaz do meu texto que foi encenado em 2007 em Portugal.
A diretora Guilhermina Leal me enviou uma cópia do dvd da montagem e fiquei apaixonado pelo seu trabalho.
Fica para a posteridade

sábado, 26 de dezembro de 2009

SEM COMENTÁRIOS

Odeio essa mania que as pessoas tem de rotular tudo. 
E viva a modernidade.
Vamos retroceder a cada dia que passa. Daqui a pouco voltamos pra fogueira da Inquisição e quando menos esperar, estaremos na Pré-História.

Leiam isso... Parece piada!
 
Escola terá cursos para adolescentes gays em Campinas.
 
Uma escola para adolescentes LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros) vai ser criada a partir de março de 2010 em Campinas (93 km de SP), por meio de um convênio com o Estado.

O espaço vai promover cursos técnicos para jovens entre 12 e 18 anos que buscam aulas de expressão artística, gráfica e cênica voltadas para esse público. O projeto faz parte do programa Pontos de Cultura, lançado pelo Ministério da Cultura, e vai ser patrocinado, assim como outras 300 iniciativas culturais no Estado, com R$ 180 mil durante três anos.

A criação do projeto é do coordenador da Grupo E-Jovem, Deco Ribeiro, 37 anos, que desde 2001 luta pelos direitos de jovens LGBT. "A escola será aberta para os heterossexuais também. Acho importante que exista esse espaço, porque o aluno LGBT cresce inseguro com a sexualidade, e a escola tradicional ignora isso."

Ribeiro diz que o projeto será um ponto de "aprendizagem cultural" e que os alunos não terão de pedir autorização dos pais para participar. A escola deverá ser instalada no centro de Campinas e será aberta a pessoas de outras regiões do Estado. Interessados podem obter mais informações pelo telefone (19) 3307-3764.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

LABIRINTO




Meu nome é David. Na Faculdade de Medicina era mais conhecido como Chili por causa da minha pele avermelhada, herança dos meus avós que eram irlandeses. Mas nem a Faculdade e nem meu apelido vem ao caso agora. Não agora.

Durante muito tempo exerci a função de psiquiatra - o verdadeiro orgulho da família, diga-se de passagem. E, ao contrário daquilo que algumas pessoas imaginam, não existe nada mais complexo do que o cérebro humano. Vejo-o como um vasto labirinto escuro, uma grotesca casa de espelhos; talvez aqueles espelhos de parques de diversões, que além de nos confundir, nos deixam abobalhados quando imaginamos que estamos chegando a algum lugar e percebemos que ainda mal nos deslocamos.

Estava mergulhado naquilo que chamamos de processo e não me lembro de ter algum dia trabalhado tão a finco em um paciente. Nem mesmo no caso do Homem-Machado, um indivíduo que, sem motivo aparente, chacinara toda a família com um machado de cortar lenha. Depois de algum tempo o homem se suicidou com o próprio lençol dentro da sua cela na penitenciária de segurança máxima. Caso interessante...  

Mas nem de longe, tão envolvente quanto o caso dela. Uma mulher que imaginava ser uma espécie de escolhida dos deuses.

Tentarei simplificar o possível, ao que chamo hoje de minha “viagem alucinante”. 

Ela não era só dona de todo o charme que alguém poderia imaginar, não. Havia algo mais... Havia um mundo estranho oferecido atrás de seus olhos estranhamente negros. Seu corpo voluptuoso era algo como que tirado do Olimpo. Sua boca generosa raramente sorria; e quando sorria parecia um convite. Adorava ver os seus cabelos espalhados em meu divã.

Em uma das nossas sessões fiz uma simples pergunta que mudaria todo o rumo da minha vida. Perguntei-lhe o que mais lhe causava medo. E ela me respondeu que só temia:

- O óbvio!!!

- O óbvio? Seja mais clara.

- As pessoas acreditam somente no óbvio. Acreditam somente naquilo que seus cérebros podem aceitar. Nada é óbvio. As pessoas mudam. As circunstâncias mudam. E as pessoas são capazes de tudo se movidas por amor ou ódio.

- Se você sabe tudo a respeito de tudo, o que faz aqui no meu consultório?

- Pago para provar que você não sabe nada. Você somente conhece aquilo que lhe convém. Só aceita aquilo que é, dentro dos padrões, algo denominado normal, correto. Você nunca sentiu vontade de se matar? Nunca se afastou a tempo antes de matar alguém que você amasse?  Nunca ouviu os tambores soarem dentro de si como numa festividade de morte? Nunca se sentiu pronto para cair sobre quatro patas e uivar alucinadamente para em seguida correr mais velozmente do que o próprio som?... São coisas que vocês têm medo de aceitar. Medo de ouvir o grito que deixam estancados dentro da garganta. Medo de acreditar naquilo que não é óbvio. Então, quem somos nós para punir um assassino? Ele terminou aquilo que temos medo de terminar. Ouviu o que temos medo de ouvir: O GRITO. Você nunca se envergonhou de si mesmo? Nunca se lamentou por algo que fez, que não era dentro dos padrões, algo denominado correto?

– Quem é você?

– Sou o seu desejo.

- Escute. Suponhamos, apenas suponhamos que você esteja certa. Diga-me então o que devo fazer para me aceitar. Você tem razão. Eu não me aceito. Não aceito em harmonia o bem e o mal que habitam dentro de mim. Não aceito o profundo bem e sumo mal, como você mesma já disse antes. Tento esquecer certas coisas que já fiz antes, mas não posso. Tampouco posso aceitar o lobo que habita dentro das minhas entranhas. Gostaria de recomeçar, viver em harmonia comigo mesmo, fazer tudo de modo diferente. Mas não tenho equilíbrio.  Um lado sempre grita mais alto que o outro.

Agora eu havia me transformado em paciente, mas nada mais importava. Não importava realmente quem era quem naquele jogo do inferno...

Sentia lágrimas escorrendo em minha boca. Um gosto salgado, quente. Lembrei-me uma vez quando engoli a água do mar, numa tentativa adolescente de mostrar para o meu irmão mais velho, que se ele podia ir até a balsa localizada a alguns metros da costa, eu também podia.  Tentativa fracassada...

Ela me colocou em seu colo, me ofereceu o seu corpo quente, sorriu e disse:

- Não posso ajudá-lo, David. Não sou a vida. E somente ela poderá fazer alguma coisa a você. Não cabe a mim intervir.

E ela se foi, deixando atrás de si aquele cheiro agridoce junto aos meus soluços.

No caminho de volta pra casa parei em um bar e consumi muito mais que poderia suportar, como se na garrafa houvesse a solução para o meu problema; como se dentro da mesma garrafa existisse ao menos uma resposta para as perguntas que eu precisava fazer...

Eu a desejava, eu a amava - antiético, é claro. Mas eu realmente desejava que toda a ética e ciência do mundo fossem de mãos dadas para o inferno. Eu a desejava como um condenado deseja a guilhotina.
 
Nunca mais a veria. Nunca mais ouviria a sua voz rouca me dizendo palavras certeiras e me revirando a alma ao avesso. Isso talvez fosse bom. Eu poderia voltar a ser o mesmo covarde de sempre ruminando minhas idéias limitadas e considerando-me um gênio da racionalidade.

Uma mão gelada tocou meu ombro. Virei-me bruscamente. Minha voz morreu na garganta.  Ela estava na minha frente: o olhar passivo, os lábios entreabertos. Tudo o que consegui dizer após segundos que pareceram durar horas foi:

- Você voltou?

- Voltei para lhe dizer que você deve aproveitar o tempo que lhe resta. Voltei porque você me deseja. Alguns me desejam, outros me temem. Alguns me vêem assim como você me vê: bela, desejável... Outros me vêem como uma velha amaldiçoada... Tenho vários nomes, desde a indesejável até a inevitável. A vida lhe oferece chances. A vida é curta. Passageira. A morte, não. Você deve viver a vida de forma mais suave, sem cobranças, sem perguntas, sem medos e sem violações. Se você não parar imediatamente de se punir, sua estadia será amarga. Não julgue. Não se machuque. Saiba que até mesmo o artista, o pintor, o músico, o poeta, têm suas almas dilaceradas. Talvez para eles a vida até seja mais cheia de perguntas que a sua própria vida de Homem da Ciência. Eles amam e esta é a condenação. Se as pessoas pararem de amar serão condenadas da mesma forma, mas será infinitamente pior. Sem amor, não há inspiração. Sem amor, não há vida. Quando todos pararem para aceitar o inaceitável de forma mais suave e redescobrirem que tudo na vida é passageiro, exceto o amor, talvez eu deixe de existir. Quando as pessoas desarmarem seus arsenais eu me despedirei dos meus irmãos: a fome, a dor, a ambição, o medo e a doença. Restarão apenas a vida e a luz...  Alguns imaginam que a morte acontece quando o corpo pára e o cérebro apaga, mas quantos mortos ainda caminham sobre a Terra? A morte nada mais é que a falta de esperança, a falta de vontade de viver. Eis aí mais uma das intermináveis faces encobertas da morte. A mudança deve começar dentro de cada um. De você agora... Como disse antes, infelizmente não sou a vida. Mas você ainda vive - portanto, mexa-se, tente, tente quantas vezes for necessário tentar. Nunca desista de você. Aceite-se, ame-se, respeite-se da forma que você foi feito. Aprimore o seu lado bom e respeite seu lado denominado ruim. Lembre-se: é perigoso denominar o que é bom ou ruim, pois o que é bom para você, pode ser ruim para o outro e vice-versa...  No momento certo eu voltarei. E quando voltar espero não parecer tão desejável. Apenas aceitável...

Suas últimas palavras soaram muito distantes. Eu estava caindo literalmente no sono. Era como se meu cérebro recusasse aceitar tudo aquilo como realidade. As limitações do cérebro, claro.

Acredito que ela desapareceu. Provavelmente por causa da existência de algumas coisas que nosso cérebro simplesmente rejeita.

Prefiro acreditar que foi um sonho; que eu a queria tanto, que acabei sonhando com algo que se assemelhasse com a realidade. Poderia ter sido imaginação minha; apenas um desejo...

Voltei a tocar violino. Há anos ele estava esquecido dentro do armário. Há anos, eu havia me esquecido do prazer que ele me oferecia. 

Nem tampouco me choquei, ao sentir a necessidade de adotar uma criança, que hoje está entre as coisas que mais amo no mundo. Meu pequeno Ed...

Na verdade o que me choca  é me olhar no espelho e ver meus cabelos brancos. E sem conseguir esquecer àquelas noites em que estive com ela.

DIÁRIOS DE CLASSES


2003. Primeira semana de aula para o Ensino Fundamental I, da Escola Maria Augusta Saraiva. 
1ª série D. Fazia tempo que não trabalhava no periodo da manhã. Então cheguei à escola, as 7h30,  nem tinha acordado direito ainda... Entrei na sala  todo sorridente e cumprimentei a todos em alto e bom som:
- Boa tarde!!!!
E as crianças responderam:
- Boa tarde.
Aí na hora eu me liguei e rebati:
-Ah!!!!! Peguei vocês!!!!! Bom dia.
E eles:
-Bom dia!
Dessa eu me safei.

2º 
Mas desta não consegui me safar.
2ª série  E da mesma escola.
Primeiro dia de aula. Como estava conhecendo os alunos ainda, pedi para que eles desenhassem um tema livre e pintassem os desenhos apenas com as três cores primárias: azul, vermelho e amarelo.
Estava explicando para as crianças para pintar sempre na mesma direção.
Nisso levantou da cadeira um negrinho com um desenho na mão.
- Assim, professor?
Eu com o desenho dele na mão, mostrei para classe:
- É assim mesmo. Olha é exatamente como o desenho desse menino.
- Menino? - estranhou a classe.
- É. Deste menino - insisti.
E aí veio a resposta:
- Ela é menina!!!!
Olhei para o "menino" que depois percebi que era menina, entreguei o desenho para ela e vmudei rapidamente de assunto.


3º 

2004 - Sala de aula do 2º B, do Ensino Médio, na Escola Firmino de Proença. Estava fazendo um teste sobre COMUNICAÇÃO com os alunos para saber se eles são mais visuais, auditivos ou cinestésicos. 
Os alunos dessa turma sempre curtiram minhas aulas por serem diferentes das tradicionais, os famosos desenhos livres. 
Continuando:  Chegou na pergunta:
O que te incomoda mais:
a) barulho
b) luminosidade forte
c) coceira
Nesse momento Edna, uma aluna deficiente auditiva me disse:
- Pra mim só duas alternativas professor. Coceira e luminosidade forte. Se me incomodar com o barulho, eu tiro o aparelho e não escuto mais nada.
Risos coletivos dos alunos. Eu me esforçando pra não rir. Mas não aguentei e tambem cai na gargalhada.



2006  - Mesma escola. Firmino de Proença.
2ª série F (do EJA). 
Avaliação bimestral. Consistia no seguinte. Passei diversos textos curtos para os alunos montarem uma cena de teatro. O bacana da escola é que havia um palco e um teatro gigantesco com piano. Então minhas aulas de arte eram lá. 
A turma foi dividida em subgrupos. E ficava orientando os alunos e tal, mas não fazia a menor ideia do que eles iriam preparar.
Chegou o dia da prova. 
Os alunos estavam super empolgados. Fui até a diretoria e chamei a diretora para assistir às cenas. Ela sentou-se ao meu lado e ficamos acompanhando os trabalhos.
Estavam todos muito bacanas.
Aí chegou na última cena. 
Só para que vocês se localizem, a cena era de um texto meu RAPIDINHAS, em que dois casais estão à mesa e as mulheres pedem licença para ir ao banheiro retocar a maquiagem. Os homens conversam entre si e desejam saber por que elas sempre vão juntas ao banheiro. 
Aí a ação é transferida para o banheiro onde as moças começam a falar e agir como homens: comentam sobre futebol, sobre mulheres enquanto passam batom. Ate aí, tudo certinho.
Num determinado momento, uma diz:
- To louco pra dar um mijão...
E em seguida ela levanta o vestido e segura num  consolo gigantesco, desses que parecem um braço.
A classe entrou em surto. Riam histericamente e eu roxo de vergonha. A diretora achando graça, eu só virei pra ela e disse:
- Isso não tava no script.
E ela:
- Sem problemas.
Ela ria muito também. Ainda bem que era a última cena...